terça-feira, 17 de abril de 2012

Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana

Com informações da ESA - 17/04/2012
Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana
Os cientistas ainda não sabem a origem dessas estranhas formações em Marte. Mas pelo menos uma das possibilidades é promissora para a procura por sinais de vida microbiana. [Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)]
Vida nas crateras
Esta semana a sonda Mars Express, da ESA (agência espacial europeia), revelou várias cadeias de crateras de abaixamento na base de um dos maiores vulcões do Sistema Solar.
Dependendo da maneira como terão sido formadas, essas crateras poderão ser um lugar muito interessante para procurar vida microbiana no Planeta Vermelho, afirmam os cientistas.
Outro grupo, porém, estudando outro tipo de crateras aqui na Terra mesmo, também acredita ter encontrado um local promissor para procurar vida em Marte.
Crateras de Marte
As imagens da ESA mostram as formações de Tractus Catena, no quadrilátero de Arcadia.
Esta zona faz parte da extensa região de Tharsis, onde também existe um grupo de enormes vulcões, em que se destacam os três conhecidos como Montes de Tharsis. A norte está o Monte Alba ou o Alba Patera, um dos maiores vulcões do Sistema Solar, em termos de superfície e volume.
As crateras de Tractus Catena partem do lado sudeste do Monte Alba, e são formadas por cadeias de depressões circulares largas, que se estendem ao longo de fraturas na superfície.
Origem vulcânica ou tectônica
As cadeias de crateras de abaixamento podem ter origem vulcânica. A lava emitida por um vulcão começa a solidificar na superfície, criando um tubo, no interior do qual continua a fluir a lava fundida.
Quando cessa a atividade vulcânica, o tubo fica vazio, formando-se uma cavidade subterrânea.
Ao longo do tempo, partes do teto por cima da cavidade podem colapsar, deixando depressões circulares na superfície.
Na Terra, podem ser encontradas estruturas semelhantes, por exemplo nas laterais do vulcão Kilauea, no Hawai.
Na Lua, a região de Hadley Rille, visitada pela nave Apollo 15, em 1971, pode ter sido formada pelo mesmo processo, há bilhões de anos.
As cadeias de crateras de abaixamento também podem se originar de forças que se manifestam na crosta marciana, o que se traduz numa série de depressões paralelas conhecidas como grabens, ou fossas tectônicas.
Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana
Nesta imagem aparecem coincidentemente tanto as crateras de abaixamento quanto as crateras de impacto, apontadas pela equipe escocesa como o local ideal para encontrar micróbios marcianos. [Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)]
Água marciana
Mas o cenário mais arrojado é o que aponta para a ação da água subterrânea.
Na Terra, há exemplos claros de estruturas semelhantes nas regiões cársticas - nome derivado de Karst, a palavra alemã para a região entre a Eslovênia e a Itália, onde este fenômeno foi estudado pela primeira vez.
Um dos exemplos mais famosos na Terra é a rede de "cenotes", na península do Yucatan, no México. Estes poços profundos formam-se quando as rochas de calcário na superfície colapsam, expondo a água por baixo.
Esta possibilidade é a mais interessante no contexto da pesquisa por vida microbiana em Marte.
Se as crateras de abaixamento forem resultado do colapso de cavidades subterrâneas, há a possibilidade de alguns microrganismos terem sobrevivido, protegidos da agressividade do ambiente da superfície.
A exploração robótica da superfície de Marte indica que a radiação no planeta é cerca de 250 vezes mais intensa do que na Terra, o dobro dos níveis a que estão expostos os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional.
Se esta cadeia de crateras estiver mesmo associada a um sistema de covas, no futuro poderão servir de refúgio aos astronautas que venham a explorar o Planeta Vermelho.
Independentemente do modo como se formaram, estas cadeias de crateras de abaixamento ilustram mais uma vez as múltiplas semelhanças entre os processos geológicos de Marte e da Terra, e apresentam interessantes objetivos para futuras missões de exploração.
Crateras de impacto
As semelhanças entre a Terra e Marte são ainda mais importante no ver de Charles Cockell e seus colegas da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Depois de escavar quase 2 quilômetros abaixo do local da queda de um asteroide, em Chesapeake, nos EUA, eles descobriram micróbios espalhados de forma desigual sob a rocha.
Isso, segundo o grupo, sugere que o meio-ambiente ainda estaria se adaptando ao evento, mesmo 35 milhões de anos após o impacto.
O calor do impacto da colisão de um asteroide é suficiente para matar qualquer espécie de vida na superfície.
Contudo, segundo os cientistas, falhas em rochas subterrâneas permitiriam que água e nutrientes chegassem até as profundezas, possibilitando a vida.
Assim, as crateras proporcionariam um refúgio para os micróbios, protegendo-os dos efeitos de mudanças climáticas, como aquecimentos globais e eras glaciais.
Fazendo a analogia com Marte - todo este estudo foi feito na Terra - eles propõem que as crateras de impacto de meteoros são os lugares mais promissores para procurar por sinais de vida em nosso vizinho vermelho.
"As áreas profundamente fraturadas ao redor das crateras de impacto podem fornecer um refúgio seguro no qual micróbios podem prosperar por longos períodos de tempo. Nossas descobertas sugerem que a subsuperfície das crateras de Marte pode ser um lugar promissor para procurar por indícios de vida," disse Cockell.

Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana

Com informações da ESA - 17/04/2012
Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana
Os cientistas ainda não sabem a origem dessas estranhas formações em Marte. Mas pelo menos uma das possibilidades é promissora para a procura por sinais de vida microbiana. [Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)]
Vida nas crateras
Esta semana a sonda Mars Express, da ESA (agência espacial europeia), revelou várias cadeias de crateras de abaixamento na base de um dos maiores vulcões do Sistema Solar.
Dependendo da maneira como terão sido formadas, essas crateras poderão ser um lugar muito interessante para procurar vida microbiana no Planeta Vermelho, afirmam os cientistas.
Outro grupo, porém, estudando outro tipo de crateras aqui na Terra mesmo, também acredita ter encontrado um local promissor para procurar vida em Marte.
Crateras de Marte
As imagens da ESA mostram as formações de Tractus Catena, no quadrilátero de Arcadia.
Esta zona faz parte da extensa região de Tharsis, onde também existe um grupo de enormes vulcões, em que se destacam os três conhecidos como Montes de Tharsis. A norte está o Monte Alba ou o Alba Patera, um dos maiores vulcões do Sistema Solar, em termos de superfície e volume.
As crateras de Tractus Catena partem do lado sudeste do Monte Alba, e são formadas por cadeias de depressões circulares largas, que se estendem ao longo de fraturas na superfície.
Origem vulcânica ou tectônica
As cadeias de crateras de abaixamento podem ter origem vulcânica. A lava emitida por um vulcão começa a solidificar na superfície, criando um tubo, no interior do qual continua a fluir a lava fundida.
Quando cessa a atividade vulcânica, o tubo fica vazio, formando-se uma cavidade subterrânea.
Ao longo do tempo, partes do teto por cima da cavidade podem colapsar, deixando depressões circulares na superfície.
Na Terra, podem ser encontradas estruturas semelhantes, por exemplo nas laterais do vulcão Kilauea, no Hawai.
Na Lua, a região de Hadley Rille, visitada pela nave Apollo 15, em 1971, pode ter sido formada pelo mesmo processo, há bilhões de anos.
As cadeias de crateras de abaixamento também podem se originar de forças que se manifestam na crosta marciana, o que se traduz numa série de depressões paralelas conhecidas como grabens, ou fossas tectônicas.
Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana
Nesta imagem aparecem coincidentemente tanto as crateras de abaixamento quanto as crateras de impacto, apontadas pela equipe escocesa como o local ideal para encontrar micróbios marcianos. [Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)]
Água marciana
Mas o cenário mais arrojado é o que aponta para a ação da água subterrânea.
Na Terra, há exemplos claros de estruturas semelhantes nas regiões cársticas - nome derivado de Karst, a palavra alemã para a região entre a Eslovênia e a Itália, onde este fenômeno foi estudado pela primeira vez.
Um dos exemplos mais famosos na Terra é a rede de "cenotes", na península do Yucatan, no México. Estes poços profundos formam-se quando as rochas de calcário na superfície colapsam, expondo a água por baixo.
Esta possibilidade é a mais interessante no contexto da pesquisa por vida microbiana em Marte.
Se as crateras de abaixamento forem resultado do colapso de cavidades subterrâneas, há a possibilidade de alguns microrganismos terem sobrevivido, protegidos da agressividade do ambiente da superfície.
A exploração robótica da superfície de Marte indica que a radiação no planeta é cerca de 250 vezes mais intensa do que na Terra, o dobro dos níveis a que estão expostos os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional.
Se esta cadeia de crateras estiver mesmo associada a um sistema de covas, no futuro poderão servir de refúgio aos astronautas que venham a explorar o Planeta Vermelho.
Independentemente do modo como se formaram, estas cadeias de crateras de abaixamento ilustram mais uma vez as múltiplas semelhanças entre os processos geológicos de Marte e da Terra, e apresentam interessantes objetivos para futuras missões de exploração.
Crateras de impacto
As semelhanças entre a Terra e Marte são ainda mais importante no ver de Charles Cockell e seus colegas da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Depois de escavar quase 2 quilômetros abaixo do local da queda de um asteroide, em Chesapeake, nos EUA, eles descobriram micróbios espalhados de forma desigual sob a rocha.
Isso, segundo o grupo, sugere que o meio-ambiente ainda estaria se adaptando ao evento, mesmo 35 milhões de anos após o impacto.
O calor do impacto da colisão de um asteroide é suficiente para matar qualquer espécie de vida na superfície.
Contudo, segundo os cientistas, falhas em rochas subterrâneas permitiriam que água e nutrientes chegassem até as profundezas, possibilitando a vida.
Assim, as crateras proporcionariam um refúgio para os micróbios, protegendo-os dos efeitos de mudanças climáticas, como aquecimentos globais e eras glaciais.
Fazendo a analogia com Marte - todo este estudo foi feito na Terra - eles propõem que as crateras de impacto de meteoros são os lugares mais promissores para procurar por sinais de vida em nosso vizinho vermelho.
"As áreas profundamente fraturadas ao redor das crateras de impacto podem fornecer um refúgio seguro no qual micróbios podem prosperar por longos períodos de tempo. Nossas descobertas sugerem que a subsuperfície das crateras de Marte pode ser um lugar promissor para procurar por indícios de vida," disse Cockell.

Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana

Com informações da ESA - 17/04/2012
Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana
Os cientistas ainda não sabem a origem dessas estranhas formações em Marte. Mas pelo menos uma das possibilidades é promissora para a procura por sinais de vida microbiana. [Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)]
Vida nas crateras
Esta semana a sonda Mars Express, da ESA (agência espacial europeia), revelou várias cadeias de crateras de abaixamento na base de um dos maiores vulcões do Sistema Solar.
Dependendo da maneira como terão sido formadas, essas crateras poderão ser um lugar muito interessante para procurar vida microbiana no Planeta Vermelho, afirmam os cientistas.
Outro grupo, porém, estudando outro tipo de crateras aqui na Terra mesmo, também acredita ter encontrado um local promissor para procurar vida em Marte.
Crateras de Marte
As imagens da ESA mostram as formações de Tractus Catena, no quadrilátero de Arcadia.
Esta zona faz parte da extensa região de Tharsis, onde também existe um grupo de enormes vulcões, em que se destacam os três conhecidos como Montes de Tharsis. A norte está o Monte Alba ou o Alba Patera, um dos maiores vulcões do Sistema Solar, em termos de superfície e volume.
As crateras de Tractus Catena partem do lado sudeste do Monte Alba, e são formadas por cadeias de depressões circulares largas, que se estendem ao longo de fraturas na superfície.
Origem vulcânica ou tectônica
As cadeias de crateras de abaixamento podem ter origem vulcânica. A lava emitida por um vulcão começa a solidificar na superfície, criando um tubo, no interior do qual continua a fluir a lava fundida.
Quando cessa a atividade vulcânica, o tubo fica vazio, formando-se uma cavidade subterrânea.
Ao longo do tempo, partes do teto por cima da cavidade podem colapsar, deixando depressões circulares na superfície.
Na Terra, podem ser encontradas estruturas semelhantes, por exemplo nas laterais do vulcão Kilauea, no Hawai.
Na Lua, a região de Hadley Rille, visitada pela nave Apollo 15, em 1971, pode ter sido formada pelo mesmo processo, há bilhões de anos.
As cadeias de crateras de abaixamento também podem se originar de forças que se manifestam na crosta marciana, o que se traduz numa série de depressões paralelas conhecidas como grabens, ou fossas tectônicas.
Crateras de Marte podem abrigar vida microbiana
Nesta imagem aparecem coincidentemente tanto as crateras de abaixamento quanto as crateras de impacto, apontadas pela equipe escocesa como o local ideal para encontrar micróbios marcianos. [Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)]
Água marciana
Mas o cenário mais arrojado é o que aponta para a ação da água subterrânea.
Na Terra, há exemplos claros de estruturas semelhantes nas regiões cársticas - nome derivado de Karst, a palavra alemã para a região entre a Eslovênia e a Itália, onde este fenômeno foi estudado pela primeira vez.
Um dos exemplos mais famosos na Terra é a rede de "cenotes", na península do Yucatan, no México. Estes poços profundos formam-se quando as rochas de calcário na superfície colapsam, expondo a água por baixo.
Esta possibilidade é a mais interessante no contexto da pesquisa por vida microbiana em Marte.
Se as crateras de abaixamento forem resultado do colapso de cavidades subterrâneas, há a possibilidade de alguns microrganismos terem sobrevivido, protegidos da agressividade do ambiente da superfície.
A exploração robótica da superfície de Marte indica que a radiação no planeta é cerca de 250 vezes mais intensa do que na Terra, o dobro dos níveis a que estão expostos os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional.
Se esta cadeia de crateras estiver mesmo associada a um sistema de covas, no futuro poderão servir de refúgio aos astronautas que venham a explorar o Planeta Vermelho.
Independentemente do modo como se formaram, estas cadeias de crateras de abaixamento ilustram mais uma vez as múltiplas semelhanças entre os processos geológicos de Marte e da Terra, e apresentam interessantes objetivos para futuras missões de exploração.
Crateras de impacto
As semelhanças entre a Terra e Marte são ainda mais importante no ver de Charles Cockell e seus colegas da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Depois de escavar quase 2 quilômetros abaixo do local da queda de um asteroide, em Chesapeake, nos EUA, eles descobriram micróbios espalhados de forma desigual sob a rocha.
Isso, segundo o grupo, sugere que o meio-ambiente ainda estaria se adaptando ao evento, mesmo 35 milhões de anos após o impacto.
O calor do impacto da colisão de um asteroide é suficiente para matar qualquer espécie de vida na superfície.
Contudo, segundo os cientistas, falhas em rochas subterrâneas permitiriam que água e nutrientes chegassem até as profundezas, possibilitando a vida.
Assim, as crateras proporcionariam um refúgio para os micróbios, protegendo-os dos efeitos de mudanças climáticas, como aquecimentos globais e eras glaciais.
Fazendo a analogia com Marte - todo este estudo foi feito na Terra - eles propõem que as crateras de impacto de meteoros são os lugares mais promissores para procurar por sinais de vida em nosso vizinho vermelho.
"As áreas profundamente fraturadas ao redor das crateras de impacto podem fornecer um refúgio seguro no qual micróbios podem prosperar por longos períodos de tempo. Nossas descobertas sugerem que a subsuperfície das crateras de Marte pode ser um lugar promissor para procurar por indícios de vida," disse Cockell.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Físicos descobrem novo tipo de partícula: os férmions de Majorana

Híbrido de partícula e antipartícula
 

Depois de 75 anos de buscas, cientistas holandeses podem ter descoberto os férmions de Majorana.
O físico italiano Ettore Majorana previu, em 1937, a existência de partículas que são suas próprias antipartículas.
Quando um elétron - de carga negativa - encontra um pósitron - sua antipartícula, com carga positiva - eles se aniquilam mutuamente com a emissão de um flash de raios gama.
Já um férmion Majorana é uma partícula neutra que é a sua própria antipartícula.
Nenhum experimento até hoje, nem mesmo dos grandes aceleradores de partículas, como o LHC, reportaram qualquer avistamento de férmions de Majorana.
Mesmo não sendo partículas ordinárias, que possam existir soltas por aí, os cientistas afirmam que um acelerador de partículas poderia detectar os férmions de Majorana, embora o LHC não tenha a sensibilidade necessária para isso.
Mas muitos físicos já acreditavam que eles poderiam ser encontrados em sistemas de estado sólido.
Análogo da antimatéria
Nos materiais condutores de eletricidade, existe um análogo da antimatéria: os elétrons (negativos) e as lacunas (positivas), um desaparecendo ao se encontrar com o outro. Ou seja, assim como partículas e antipartículas não podem coexistir, elétrons e lacunas também não.
Os físicos então idealizaram um experimento no qual elétrons e lacunas podem ser preservados sem se fundirem.
Para isso eles combinaram materiais supercondutores com isolantes topológicos, um tipo de material que conduz eletricidade apenas em sua superfície.
Quando são unidos, os dois materiais criam um padrão de campos elétricos em sua interface que pode evitar que os elétrons caiam nas lacunas, eventualmente permitindo a formação dos férmions de Majorana.
E foi isso o que fizeram Vincent Mourik e seus colegas das universidades de Delft e Eindhoven.
Férmions de Majorana
O grupo acredita ter localizado os férmions de Majorana dentro dos nanofios de um tipo muito estranho de transístor, construído por eles com supercondutores e isolantes topológicos.
Quando o transístor supercondutor foi colocado sob um campo magnético, os cientistas observaram um pico de sinal de tunelamento, em energia zero. O sinal resistiu a variações do campo magnético e da tensão aplicada ao transístor.
O sinal de pico desapareceu quando foram eliminados os "ingredientes" propostos teoricamente como necessários para a formação dos férmions de Majorana - como o campo magnético, ou quando eles trocaram a porção supercondutora do transístor por um fio normal.
Férmions de Majorana: físicos descobrem novo tipo de partícula
Micrografia do dispositivo real, onde N é o eletrodo metálico e S o eletrodo supercondutor. [Imagem: V. Mourik et al./Science]
Segundo os autores, seus resultados oferecem evidências da existência dos férmions de Majorana em "nanofios supercondutores acoplados".
Férmions de Majorana não são partículas, ou pequenas quantidades de matéria, no sentido que são considerados os elétrons ou os neutrinos: eles são quasepartículas, como os plásmons de superfície - mas que se comportam de forma muito parecida com uma partícula "autêntica", o que permite sua detecção.
A propósito, os físicos continuam tentando confirmar, como alguns teóricos propõem, se um neutrino pode ser realmente sua própria antipartícula.
Computadores quânticos e matéria escura
Além do interesse da física fundamental, os férmions de Majorana têm grande potencial para serem usados para a criação de uma nova plataforma de computação quântica.
Quando dois férmions de Majorana são movimentados um em relação ao outro, cada um deles mantém a memória da sua posição anterior. Isto permitiria a construção de computadores quânticos excepcionalmente estáveis, praticamente imunes à influência externa.
Outros cientistas apontam para a importância dos férmions de Majorana em escala cosmológica: eles acreditam que eles possam ser o constituinte fundamental da matéria escura, uma matéria que é detectada apenas por seus efeitos gravitacionais, mas que ninguém sabe do que se trata.
A observação agora relatada dos férmions de Majorana foi indireta e, portanto, não totalmente conclusiva, embora otimizações no experimento - como a redução da temperatura do semicondutor - possam gerar resultados mais robustos no futuro.
Enigma de Majorana
No passado, pouco depois de fazer sua previsão histórica, Ettore Majorana, então com apenas 31 anos, desapareceu quando fazia uma viagem de navio entre Palermo e Nápoles.
Seu corpo nunca foi encontrado e existem inúmeras versões sobre seu desaparecimento, algumas apontando para um desaparecimento planejado por ele próprio quando percebeu as implicações das teorias atômicas então sendo desvendadas.