terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Nasce uma supernova: Pela primeira vez estrela é flagrada explodindo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 13/11/2025

Nasce uma supernova: Estrela é flagrada explodindo pela primeira vez
Esta imagem artística mostra uma estrela transformando-se em uma supernova a cerca de 22 milhões de anos-luz de distância da Terra. Os astrônomos conseguiram capturar a fase inicial da supernova, apenas 26 horas após a explosão, revelando sua verdadeira forma.

Assistindo o nascimento de uma supernova

Os astrônomos desta vez foram muito rápidos, e conseguiram fotografar a morte explosiva de uma estrela praticamente no momento em que a explosão irrompia da superfície da estrela.

É a primeira imagem de um momento tão inicial, revelando a forma da explosão já no dia seguinte à sua ocorrência, o que ajudará a responder a uma série de questões sobre como é que as estrelas massivas explodem, transformando-se em supernovas - até agora só tínhamos as imagens das supernovas anos, ou mesmo séculos, depois que eles ocorreram, quando o material já havia se espalhado por enormes distâncias.

Quando a explosão da supernova SN 2024ggi foi detectada pela primeira vez, na noite de 10 de Abril de 2024, o professor Yi Yang, da Universidade Tsinghua, na China, enviou rapidamente uma proposta de observação ao Observatório Europeu do Sul (ESO). Já no dia seguinte, o ESO apontou o telescópio VLT, instalado no Chile, em direção à supernova, fotografando-a apenas 26 horas após a detecção inicial.

"A geometria de uma explosão de supernova fornece informações fundamentais sobre a evolução estelar e os processos físicos que levam a estes fogos de artifício cósmicos," explicou Yang. Os mecanismos exatos por trás das explosões de estrelas massivas, com mais de oito vezes a massa do Sol, sob a forma de supernovas, continuam a ser debatidos e permanecem uma das questões fundamentais abordadas pelos astrofísicos.

Momentos iniciais da explosão

A SN 2024ggi situa-se na galáxia NGC 3621, na direção da constelação da Hidra, a "apenas" 22 milhões de anos-luz de distância da Terra, o que é próximo em termos astronômicos. Com um grande telescópio e o instrumento certo, a equipe internacional sabia que tinha uma oportunidade rara de desvendar a forma da explosão logo após a sua ocorrência.

A estrela progenitora desta supernova era uma supergigante vermelha, com uma massa 12 a 15 vezes superior à do Sol e um raio 500 vezes maior, o que faz da SN 2024ggi um exemplo clássico de explosão de uma estrela massiva.

"As primeiras observações do VLT capturaram a fase durante a qual a matéria acelerada pela explosão perto do centro da estrela irrompeu pela superfície da estrela. Durante algumas horas, a geometria da estrela e a sua explosão puderam ser, e foram, observadas em conjunto," contou Dietrich Baade, astrônomo do ESO na Alemanha e coautor do estudo.

E os dados coletados já permitem descartar alguns dos atuais modelos que tentam descrever as supernovas, além de adicionar novas informações que podem melhorar outros modelos. "Esta descoberta não só reformula a nossa compreensão das explosões estelares, como também demonstra o que pode ser alcançado quando a ciência transcende fronteiras," afirmou Ferdinando Patat, do ESO. "É uma poderosa lembrança de que a curiosidade, a colaboração e a ação rápida podem desvendar mistérios profundos da física que molda o nosso Universo."

Nasce uma supernova: Estrela é flagrada explodindo pela primeira vez
Foi assim que os astrônomos viram pela primeira vez a supernova, um ponto superbrilhante surgindo de repente em meio a inúmeras outras estrelas distantes.
[Imagem: ESO/Y. Yang et al. - 10.1126/sciadv.adx2925]

Como uma estrela explode?

Sabemos que, durante a sua vida, uma estrela típica mantém a sua forma esférica como resultado de um equilíbrio muito preciso entre a força gravitacional, que tende a comprimi-la, e a pressão do seu motor nuclear, que tende a expandi-la. Quando a sua última fonte de combustível se esgota, o motor nuclear começa a falhar. Para estrelas massivas, isto marca o início da fase de supernova: O núcleo da estrela moribunda entra em colapso, as conchas de massa que o rodeiam caem sobre ele e ricocheteiam. Este choque de richochete propaga-se para o exterior, destruindo a estrela.

Quando o choque irrompe da superfície estelar, são liberadas enormes quantidades de energia - a supernova então brilha de forma dramática, que é quando os astrônomos a detectam. Durante um período de tempo muito curto, a forma inicial da explosão pode ser estudada, antes que a supernova comece a interagir com o material que circunda a estrela moribunda.

Foi isso que os astrônomos conseguiram observar pela primeira vez, utilizando uma técnica chamada espectropolarimetria. "A espectropolarimetria nos dá informações relativas à geometria da explosão que outro tipo de observações não consegue, uma vez que as escalas angulares são demasiado pequenas," contou Lifan Wang, professor da Universidade A&M do Texas, nos EUA.

Apesar de a estrela que explodiu parecer um único ponto, a polarização da sua luz contém pistas ocultas sobre a sua geometria. As partículas de luz (fótons) possuem uma propriedade chamada polarização. Em uma esfera, a forma da maioria das estrelas, a polarização dos fótons individuais cancela-se entre si, o que faz com que a polarização total do objeto seja zero. Quando medem uma polarização diferente de zero, os astrônomos podem usar essa medição para inferir a forma do objeto - estrela ou supernova - que emitiu a luz observada.

Bibliografia:

Artigo: Radio Burst from a Stellar Coronal Mass Ejection
Autores: J. R. Callingham, C. Tasse, R. Keers, R. D. Kavanagh, H. K. Vedantham, P. Zarka, S. Bellotti, P. I. Cristofari, S. Bloot, D. C. Konijn, M. J. Hardcastle, L. Lamy, E. K. Pass, B. J. S. Pope, H. Reid, H. J. A. Röttgering, T. W. Shimwell, P. Zucca
Revista: Science Advances
DOI: 10.1126/sciadv.adx2925

Buracos de minhoca não existem, Big Bang é um portal e o tempo vai e vem, propõem físicos

Enrique Gaztañaga - The Conversation - 

Buracos de minhoca não existem, Big Bang é um portal e o tempo vai e vem, propõem físicos
O termo buraco de minhoca foi cunhado pelo físico John Wheeler na década de 1950, o mesmo que cunhou o termo buraco negro.
Mas em uma nova pesquisa, meus colegas e eu mostramos que a ponte original de Einstein-Rosen aponta para algo muito mais estranho - e mais fundamental - do que um buraco de minhoca.

O quebra-cabeça que Einstein e Rosen estavam tentando resolver nunca foi sobre viagens espaciais, mas sim sobre como os campos quânticos se comportam no espaço-tempo curvo. Interpretada dessa forma, a ponte de Einstein-Rosen funciona como um espelho no espaço-tempo: Uma conexão entre duas flechas microscópicas do tempo.

A mecânica quântica governa a natureza nas menores escalas, como as partículas, enquanto a teoria da relatividade geral de Einstein se aplica à gravidade e ao espaço-tempo. Conciliar as duas continua sendo um dos maiores desafios da física. E, de forma empolgante, nossa reinterpretação pode oferecer um caminho para isso.

Buracos de minhoca não existem, Big Bang é um portal e o tempo vai e vem, propõem físicos
Arte representando um experimento quântico que testou buracos de minhoca atravessáveis.
[Imagem: inqnet/A. Mueller/Caltech]

Uma herança mal compreendida

A interpretação do "buraco de minhoca" surgiu décadas depois do trabalho de Einstein e Rosen, quando físicos especularam sobre a possibilidade de atravessar o espaço-tempo de um lado para o outro, principalmente nas pesquisas do final da década de 1980.

Mas essas mesmas análises também deixaram claro o quão especulativa era a ideia: Dentro da relatividade geral, tal jornada é proibida. A ponte se fecha mais rápido do que a luz consegue atravessá-la, tornando-a intransitável. As pontes de Einstein-Rosen são, portanto, estruturas matemáticas instáveis e inobserváveis, não portais.

Apesar disso, a metáfora do buraco de minhoca floresceu na cultura popular e na física teórica especulativa. A ideia de que buracos negros poderiam conectar regiões distantes do cosmos - ou até mesmo funcionar como máquinas do tempo - inspirou inúmeros artigos, livros e filmes.

Contudo, não há evidências observacionais de buracos de minhoca macroscópicos, nem qualquer razão teórica convincente para esperar que eles surjam dentro da teoria de Einstein. Embora extensões especulativas da física - como formas exóticas de matéria ou modificações da relatividade geral - tenham sido propostas para sustentar tais estruturas, elas permanecem não testadas e altamente conjecturais.

Buracos de minhoca não existem, Big Bang é um portal e o tempo vai e vem, propõem físicos
Espaço de fase do oscilador harmônico invertido representando soluções de energia duplamente degeneradas, positivas e negativas.
[Imagem: Enrique Gaztañaga et al. - 10.1088/1361-6382/ae3044]

Duas flechas do tempo

Nosso trabalho recente revisita o enigma da ponte de Einstein-Rosen usando uma interpretação quântica moderna do tempo, baseada em ideias desenvolvidas por Sravan Kumar e João Marto.

A maioria das leis fundamentais da física não distingue entre passado e futuro, ou entre esquerda e direita. Se o tempo ou o espaço forem invertidos em suas equações, as leis permanecem válidas. Levar essas simetrias a sério conduz a uma interpretação diferente da ponte de Einstein-Rosen.

Em vez de um túnel através do espaço, ela pode ser entendida como dois componentes complementares de um estado quântico. Em um deles, o tempo flui para a frente; no outro, flui para trás a partir de sua posição refletida em um espelho.

Essa simetria não é uma preferência filosófica. Uma vez excluídos os infinitos, a evolução quântica deve permanecer completa e reversível em nível microscópico - mesmo na presença da gravidade.

A "ponte" expressa o fato de que ambos os componentes temporais são necessários para descrever um sistema físico completo. Em situações comuns, os físicos ignoram o componente temporal invertido, escolhendo uma única seta do tempo.

Mas perto de buracos negros, ou em universos em expansão e colapso, ambas as direções devem ser incluídas para uma descrição quântica consistente. É aqui que as pontes de Einstein-Rosen surgem naturalmente.

Buracos de minhoca não existem, Big Bang é um portal e o tempo vai e vem, propõem físicos
Pontes de Einstein-Rosen: "Uma partícula no Universo físico deve ser descrita por uma ponte matemática entre duas camadas do espaço-tempo."
[Imagem: Enrique Gaztañaga et al. - 10.1088/1361-6382/ae3044]

Resolvendo o paradoxo da informação

No nível microscópico, a ponte permite que a informação atravesse o que nos parece um horizonte de eventos - um ponto sem retorno. A informação não desaparece; ela continua evoluindo, mas na direção temporal oposta, espelhada.

Esse arcabouço oferece uma resolução natural para o famoso paradoxo da informação do buraco negro. Em 1974, Stephen Hawking demonstrou que os buracos negros irradiam calor e podem eventualmente evaporar, aparentemente apagando toda a informação sobre o que caiu neles - contradizendo o princípio quântico de que a evolução deve preservar a informação.

O paradoxo emerge apenas se insistirmos em descrever os horizontes usando uma única seta unilateral do tempo extrapolada para o infinito - uma suposição que a própria mecânica quântica não exige.

Se a descrição quântica completa incluir ambas as direções do tempo, nada é verdadeiramente perdido. A informação deixa nossa direção do tempo e reaparece na direção inversa. A completude e a causalidade são preservadas, sem invocar uma nova física exótica.

Essas ideias são difíceis de compreender porque somos seres macroscópicos que experimentam apenas uma direção do tempo. Em escalas cotidianas, a desordem - ou entropia - tende a aumentar. Um estado altamente ordenado evolui naturalmente para um estado desordenado, e nunca o inverso. Isso nos dá uma flecha do tempo.

Mas a mecânica quântica permite comportamentos mais sutis. De modo intrigante, evidências dessa estrutura oculta podem já existir. A radiação cósmica de fundo em micro-ondas - o brilho residual do Big Bang - mostra uma assimetria pequena, porém persistente: Uma preferência por uma orientação espacial em relação à sua imagem espelhada.

Essa anomalia intriga os cosmólogos há duas décadas. Os modelos padrão atribuem a ela uma probabilidade extremamente baixa - a menos que componentes quânticos espelhados sejam incluídos.

Buracos de minhoca não existem, Big Bang é um portal e o tempo vai e vem, propõem físicos
Uma simulação de 4.000 universos pretende solucionar o mistério do Big Bang.
[Imagem: The Institute of Statistical Mathematics/NAOJ]

Ecos de um Universo anterior?

Esse quadro se conecta naturalmente a uma possibilidade mais profunda. O que chamamos de "Big Bang" pode não ter sido o início absoluto, mas um rebote - uma transição quântica entre duas fases da evolução cósmica com o tempo invertido.

Nesse cenário, buracos negros poderiam funcionar como pontes não apenas entre direções temporais, mas entre diferentes épocas cosmológicas. Nosso Universo poderia ser o interior de um buraco negro formado em outro cosmos, o cosmos progenitor. Ele poderia ter-se formado quando uma região fechada do espaço-tempo colapsou, ricocheteou e começou a se expandir como o Universo que observamos hoje.

Se essa imagem estiver correta, ela também oferece uma maneira para as observações confirmarem essa hipótese. Relíquias da fase pré-rebote - como buracos negros menores - poderiam sobreviver à transição e reaparecer em nosso Universo em expansão. Parte da matéria invisível que atribuímos à matéria escura poderia, na verdade, ser composta por tais relíquias.

Nessa perspectiva, o Big Bang evoluiu a partir de condições em uma contração precedente. Buracos de minhoca não são necessários: A ponte é temporal, não espacial - e o Big Bang se torna um portal, não um começo.

Essa reinterpretação das pontes de Einstein-Rosen não oferece atalhos através de galáxias, nem viagens no tempo, nem buracos de minhoca ou hiperespaço da ficção científica. O que ela oferece é muito mais profundo. Ela oferece uma imagem quântica consistente da gravidade, na qual o espaço-tempo incorpora um equilíbrio entre direções opostas do tempo - e onde nosso Universo pode ter tido uma história antes do Big Bang.

Isso não invalida a relatividade de Einstein nem a física quântica - pelo contrário, as complementa. A próxima revolução na física pode não nos levar a viajar mais rápido que a luz, mas poderá revelar que o tempo, nas profundezas do mundo microscópico e em um Universo em constante movimento, flui em ambas as direções.


Enrique Gaztañaga, autor deste artigo, é professor de astrofísica no Instituto de Cosmologia e Gravitação da Universidade de Portsmouth.

Este artigo foi republicado da revista The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original

Bibliografia:

Artigo: A new understanding of Einstein-Rosen bridges
Autores: Enrique Gaztañaga, K Sravan Kumar, João Marto
Revista: Classical and Quantum Gravity
Vol.: 43, Number 1
DOI: 10.1088/1361-6382/ae3044

terça-feira, 7 de outubro de 2025

O que é uma Superlua?

A trajetória da Lua em sua órbita em torno do nosso planeta não é exatamente um círculo perfeito. Às vezes, a Lua está um pouco mais próxima da Terra e parece um pouco maior do que a média. Às vezes, está um pouco mais distante e parece um pouco menor.

Uma "superlua" ocorre quando a  Lua cheia  coincide com a maior aproximação da Lua à Terra em sua órbita elíptica, um ponto conhecido como  perigeu . Durante cada órbita de 27 dias ao redor da Terra, a Lua atinge tanto seu perigeu, a cerca de 363.300 km da Terra, quanto seu ponto mais distante, ou apogeu, a cerca de 405.500 km da Terra.

Esta animação mostra a diferença entre a Lua em seu ponto mais próximo da Terra, quando ocorrem superluas, e em seu ponto mais distante. A distância até o apogeu e o perigeu varia de acordo com o evento.
NASA/JPL-Caltech

Como a órbita da Lua oscila e difere dependendo da posição do Sol e da Terra em suas órbitas, a distância exata desses pontos mais próximos e mais distantes varia, e algumas superluas estão mais próximas ou mais distantes do que outras. "Superlua" não é um termo astronômico oficial, mas normalmente é usado para descrever uma Lua cheia que se aproxima pelo menos 90% do perigeu.

As superluas ocorrem apenas três a quatro vezes por ano e sempre aparecem consecutivamente. Durante a maior parte da órbita da Terra em torno do Sol, o perigeu e a Lua cheia não se sobrepõem.Em seu ponto mais próximo, a Lua cheia pode parecer até 14% maior e 30% mais brilhante do que a Lua mais fraca do ano, o que ocorre quando ela está mais distante da Terra em sua órbita. Embora 14% não faça uma grande diferença no tamanho detectável, uma superlua cheia é um pouco mais brilhante do que outras luas ao longo do ano.

Pode ser difícil detectar uma superlua visualmente, mas ela tem um efeito na Terra. Como a Lua está em sua maior aproximação da Terra, ela pode causar marés mais altas do que o normal.

Próximas Superluas

Data da SuperluaDetalhes
7 de outubro de 2025 (03:48 UTC)vá para a entrada do Guia Diário da Lua
5 de novembro de 2025 (13:19 UTC)vá para a entrada do Guia Diário da Lua
4 de dezembro de 2025 (23:14 UTC)vá para a entrada do Guia Diário da Lua
Lua cheia avermelhada nascendo perto do Lincoln Memorial.
Uma superlua nascendo perto do Lincoln Memorial em Washington. - Imagem completa e legenda
NASA/Bill Ingalls

Disponível em: https://science.nasa.gov/moon/supermoons/

Tempo negativo é real, garantem físicos

 Com informações da Physics World - 26/09/2025

Tempo negativo é real, garantem físicos
O experimento dá realidade a números que já apareciam nos cálculos teóricos. Mas explicar o que é tempo negativo é algo que levará um tempo positivo provavelmente muito longo.
[Imagem: Kyle Thompson - 10.1063/5.0288743]


Tempo negativo

As viagens no tempo são um tema comum na ficção científica, mas "tempo negativo" parece uma ideia esotérica demais até para os mais abertos a ideias novas.

Na verdade, volta e meia os físicos se deparam com números negativos em suas demonstrações, mas esses "detalhes" são rapidamente varridos para debaixo do tapete, e deixados para serem melhor compreendidos no futuro - e lembre-se que o conceito de futuro exige que o tempo seja sempre positivo.

Mas Kyle Thompson e colegas da Universidade de Toronto, no Canadá, acabam de demonstrar - por meio de experimentos, e não de teorias - que esses resultados negativos têm fundamento na realidade, lançando um conceito inusitado de tempo negativo. Perceba que não se trata de voltar no tempo, mas de fenômenos que consumem "-t" para ocorrer.

A equipe descobriu que, quando um fóton passa por uma nuvem de átomos e choca-se com um deles, transferindo energia para um dos seus elétrons, esse fóton gasta nessa excitação atômica um tempo semelhante ao que outro fóton gasta para passar diretamente pela nuvem, sem excitar nenhum átomo.

Assim, quando observaram em detalhes o processo da excitação do átomo, o que os cientistas viram é que ele de fato ocorre - ou parece ocorrer - em -t.

Tempo negativo é real, garantem físicos
Esquema do experimento e o tempo negativo.
[Imagem: Kyle Thompson - 10.1063/5.0288743]

Tempo negativo como realidade física

De posse dos dados experimentais, a equipe voltou à prancheta para tentar entender os resultados, concluindo que o tempo médio de excitação do átomo pode mesmo ser negativo. Eles também descobriram que esse tempo de excitação deve ser igual a outro tempo mais familiar, conhecido como atraso de grupo (ou tempo de grupo), que é o tempo que a envoltória de um pulso de onda leva para percorrer uma distância.

Um atraso de grupo negativo é bem palatável: Como a frente do pulso dos fótons sai da nuvem de átomos antes que o pico do pulso entre nela, e o pico nunca sai porque a maioria dos fótons será espalhada, há uma "ilusão" de que os fótons deixam a nuvem de átomos antes de chegarem.

Mas o experimento feito agora é diferente porque a equipe efetivamente monitorou fótons excitando átomos, e não apenas passando pela nuvem - nos experimentos envolvendo o atraso de grupo sempre se presume que fótons que excitam átomos são desviados, nunca atingindo o detector.

O experimento mediu tempos de viagens com excitação atômica que variaram de -0,31 para o pulso de luz de maior largura de banda, a -0,82 para o pulso de banda mais estreita. Segundo a equipe, isto comprova que os tempos negativos de excitação não são apenas uma matemática para ser varrida para baixo do tapete, mas de fato têm uma realidade física nas medições quânticas.

Bibliografia:

Artigo: How much time does a photon spend as an atomic excitation before being transmitted through a cloud of atoms?
Autores: Kyle Thompson, Kehui Li, Daniela Angulo, Vida-Michelle Nixon, Josiah Sinclair, Amal Vijayalekshmi Sivakumar, Howard M. Wiseman, Aephraim M. Steinberg
Revista: APL Quantum
DOI: 10.1063/5.0288743
Disponível em: https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=tempo-negativo&id=010115250926

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Cientistas encontram a mais forte evidência de vida em planeta alienígena

Cientistas encontram a mais forte evidência de vida em planeta alienígena


Cientistas encontram a mais forte evidência de vida em planeta alienígena Cientistas encontram a mais forte evidência de vida em planeta alienígena Em uma descoberta marcante, cientistas obtiveram o que consideram serem os mais fortes sinais de possível existência de vida além do sistema solar, detectando na atmosfera de um planeta alienígena as impressões digitais químicas de gases que na Terra são produzidos apenas por processos biológicos. Os dois gases -- sulfeto de dimetila e dissulfeto de dimetila -- envolvidos nas observações do planeta denominado K2-18 b pelo Telescópio Espacial James Webb são gerados na Terra por organismos vivos, principalmente vida microbiana, como o fitoplâncton marinho. Isso sugere que o planeta pode estar repleto de vida microbiana, disseram os pesquisadores. Eles enfatizam, no entanto, que não estão anunciando a descoberta de organismos vivos, mas sim de uma possível bioassinatura -- um indicador de um processo biológico -- e que os resultados devem ser vistos com cautela, sendo necessárias mais observações. Eles expressaram entusiasmo, no entanto. Esses são os primeiros indícios de um mundo alienígena que pode ser habitado, disse o astrofísico Nikku Madhusudhan, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, principal autor do estudo publicado no Astrophysical Journal Letters. "Este é um momento transformador na busca por vida além do sistema solar, em que demonstramos que é possível detectar bioassinaturas em planetas potencialmente habitáveis com as instalações atuais. Entramos na era da astrobiologia observacional", disse Madhusudhan. Madhusudhan observou que há vários esforços em andamento na busca de sinais de vida em nosso sistema solar, incluindo suposições de ambientes que podem ser propícios à vida em lugares como Marte, Vênus e diversas luas geladas. K2-18 b é 8,6 vezes mais maciço que a Terra e tem um diâmetro cerca de 2,6 vezes maior que o do planeta. Ele orbita na "zona habitável" -- distância em que a água líquida, um ingrediente fundamental para a vida, pode existir em uma superfície planetária -- em torno de uma estrela anã vermelha menor e menos luminosa que o Sol, localizada a cerca de 124 anos-luz da Terra, na constelação de Leão. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de quilômetros. Outro planeta também foi identificado orbitando essa estrela. "Mundo oceânico" Cerca de 5.800 planetas além do nosso sistema solar, chamados exoplanetas, foram descobertos desde a década de 1990. Os cientistas levantaram a hipótese da existência de exoplanetas cobertos por um oceano de água líquida habitável por microorganismos e com uma atmosfera rica em hidrogênio -- os chamados mundos oceânicos. Observações anteriores do Webb, que foi lançado em 2021 e entrou em operação em 2022, identificaram metano e dióxido de carbono na atmosfera do K2-18 b, primeira vez que moléculas à base de carbono foram descobertas na atmosfera de um exoplaneta na zona habitável de uma estrela. "O único cenário que atualmente explica todos os dados obtidos até agora pelo JWST (Telescópio Espacial James Webb), incluindo as observações passadas e presentes, é aquele em que o K2-18 b é um mundo oceânico repleto de vida", disse Madhusudhan. "No entanto, precisamos estar abertos e continuar explorando outros cenários", acrescentou. Madhusudhan afirmou que com os mundos oceânicos, se existirem, "estamos falando de vida microbiana, possivelmente como a que vemos nos oceanos da Terra". A hipótese é que seus oceanos sejam mais quentes do que os da Terra. Questionado sobre possíveis organismos multicelulares ou até mesmo vida inteligente, Madhusudhan disse: "Não poderemos responder a essa pergunta neste estágio. A suposição básica é de vida microbiana simples". O DMS e o DMDS, ambos da mesma família química, são considerados como importantes bioassinaturas de exoplanetas. O Webb descobriu que um ou outro, ou possivelmente ambos, estavam presentes na atmosfera do planeta com um nível de confiança de 99,7%, o que significa que ainda há uma chance de 0,3% de a observação ser um acaso estatístico. Os gases foram detectados em concentrações atmosféricas de mais de 10 partes por milhão por volume. "Para referência, isso é milhares de vezes mais do que suas concentrações na atmosfera da Terra e não pode ser explicado sem atividade biológica com base no conhecimento existente", disse Madhusudhan. Cientistas que não participaram do estudo aconselham cautela. "Os dados ricos do K2-18 b o tornam um mundo tentador", disse Christopher Glein, cientista principal da Divisão de Ciências Espaciais do Southwest Research Institute, no Texas. "Esses dados mais recentes são uma contribuição valiosa para nossa compreensão. Entretanto, devemos ter muito cuidado para testar os dados da forma mais completa possível. Estou ansioso para ver trabalhos adicionais e independentes sobre a análise de dados, que começarão já na próxima semana", ele acrescentou. https://www.youtube.com/watch?v=1VzVvcl4RV0

quarta-feira, 12 de março de 2025

OLIMPÍADAS INTERNACIONAIS - OBA

Parabéns a todos os estudantes da EEEP Antônio Tarcísio Aragão que se empenharam e se dedicaram na realização da OBA e MOBFOG. Em 2024 participaram 242 estudantes dos quais 26 conquistaram medalhas, dentre ouro, prata e bronze, o que oportunizou a participação dos mesmos na seletiva para compor as equipes para representar o Brasil na 18ª International Olympiad of Astronomy and Astrophysics (XVIII IOAA) e na 17ª Olimpiada Latinoamericana de Astronomía y Astronáutica (XVII OLAA).

Assim, após mais três difíceis etapas onde as escolas estaduais do Ceará ao todo classificaram 11 estudantes, 4 estudantes da Escola Profissional Antônio Tarcísio Aragão foram selecionados e estão entre os 443, dos quais serão selecionados os membros da equipe Olímpica de Astronomia e astrofísica Nacional.

Portanto, ter contribuído enquanto professor responsável por essa importante Olímpiada na escola, é extremamente gratificante e uma grande satisfação. Finalizo parabenizando esses jovens brilhantes, os quais certamente levarão em suas vidas o gosto pelas Ciências.

 

PARABÉNS POR ESTA GRANDE CONQUISTA!

  • ERIKA NARA RODRIGUES DO VALE
  • FRANCISCA DEBORA MEDEIROS DE OLIVEIRA
  • FRANCISCO DÁRCIO LINHARES DE SOUSA
  • JOÃO PEDRO PEREIRA DE OLIVEIRA

terça-feira, 11 de março de 2025

Experimentos buscam comprovar a existência do ‘tempo negativo’

 Estudo apresenta resultados surpreendentes e gera discussões na comunidade científica


Especialistas da Universidade de Toronto, no Canadá, conseguiram mensurar o “tempo negativo” por meio de experimentos da mecânica quântica. O conceito, antes considerado uma ilusão, agora gera debates com sua nova realidade quântica.

Os testes “excitaram temporariamente” os átomos, para que os cientistas conseguissem medir o comprimento do tempo que eles absorvem e emitem luz. Os resultados foram surpreendentes, indicando tempos iguais ou menores que zero. 

Os experimentos também indicam que os intervalos registrados podem sugerir que os fótons estavam saindo do material antes mesmo de entrarem completamente, alcançando dois estados simultaneamente durante a passagem.

Aephraim Steinberg, um dos pesquisadores do caso, reforça que a experiência ainda não é suficiente para permitir viagens no tempo ou violações de leis físicas comuns. As descobertas continuam demonstrando como a mecânica quântica ainda é de difícil acesso – embora a situação tenha aquecido as discussões na comunidade científica.

“Nossos dados são sólidos. Não estamos tentando reescrever a física. Estamos realmente destacando a estranheza das medições quânticas e seu desvio das expectativas clássicas”, afirmou Steinberg.

Apesar do salto científico que a pesquisa trouxe, muitos físicos ainda permanecem céticos quanto aos testes. A especialista Sabine Hossenfelder, conhecida mundialmente, já se posicionou contra a terminologia do “tempo negativo” e sustentou que as mudanças são “meras mudanças de fase no caminho do fóton”.


Fonte: https://revistaplaneta.com.br/experimentos-buscam-comprovar-a-existencia-do-tempo-negativo-entenda/